Velocidade e aceleração: a física que você sente no corpo
- Patrick Vizzotto
- 24 de jun. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 23 de set. de 2025
Mais que fórmulas, velocidade e aceleração são experiências que sentimos diariamente — mesmo sem perceber.

Você já teve a sensação de que o veículo “disparou” logo após o sinal verde do semáforo? Ou que, numa freada brusca, seu corpo foi projetado para frente mesmo com o cinto de segurança? Essas experiências são comuns — e nelas, mesmo sem perceber, estamos lidando com conceitos fundamentais da física: velocidade e aceleração. Mas o que exatamente são essas coisas que sentimos no corpo e que, muitas vezes, nem sabemos nomear direito?
O que percebemos quando algo se move?
Imagine uma criança numa bicicleta descendo uma ladeira. Quem está olhando de longe percebe que ela está “ganhando velocidade”. Quem está na bicicleta sente o vento aumentar, o corpo balançar, a necessidade de frear. Tudo isso está nos dando pistas sobre o que a física chama de velocidade e aceleração.
Antes de qualquer definição formal, pense assim: velocidade é o quanto algo muda de lugar com o tempo. Se você vai da sua casa até o mercado em menos tempo do que ontem, provavelmente foi mais rápido. E se, no meio do caminho, você resolveu correr ao invés de andar, você acelerou. Aceleração, portanto, é como a velocidade muda — aumenta ou diminui — ao longo do tempo.
Mas não é só isso. Vamos com calma!
Velocidade: não é só “estar rápido”
Quando alguém diz “aquele veículo está rápido”, está usando uma noção intuitiva de velocidade. Mas, cientificamente, a coisa é um pouco mais refinada.
Velocidade, para a física, não é somente o número que aparece no velocímetro do veículo. É uma grandeza vetorial, ou seja, tem valor (por exemplo, 60 km/h), mas também tem direção e sentido. Um automóvel a 60 km/h indo para o norte tem uma velocidade diferente de um veículo a 60 km/h indo para o sul.
Mas para que isso serve? Imagine dois trens em trilhos paralelos e sentidos opostos. Mesmo que estejam “na mesma velocidade”, o fato de estarem indo em sentidos contrários muda completamente o que acontece se eles se aproximarem. A direção importa — e muito.
Medindo a velocidade
Você não precisa de uma equação para entender o conceito. Mas se quiser colocar em números, a velocidade média é o quanto você se desloca dividido pelo tempo levado. Se você andou 2 quilômetros em 30 minutos, sua velocidade média foi de 4 km/h.
O velocímetro de um veículo, no entanto, mostra outra coisa: a velocidade instantânea, ou seja, o quanto você está se deslocando naquele exato momento. Porque, na prática, a gente não anda com velocidade constante o tempo todo. Você para no sinal, acelera, freia, desvia — sua velocidade muda a todo instante.
E a tal da aceleração?
Aceleração é uma daquelas coisas que o corpo sente antes de entender. Pense no momento em que um avião começa a decolar ou quando um automóvel acelera com muita intensidade assim que o semáforo fica verde. Seu corpo é empurrado contra o assento. Por quê? Porque a velocidade está mudando muito rápido. Isso é aceleração.
Na linguagem da física, aceleração é a variação da velocidade em um certo intervalo de tempo. Se um veículo vai de 0 a 100 km/h em 5 segundos, ele teve uma grande aceleração. Se, ao contrário, ele reduz de 100 km/h para 20 km/h ao frear, temos uma aceleração negativa, ou, como às vezes se diz, uma desaceleração. E assim como a velocidade, a aceleração também tem direção e sentido. Uma curva, por exemplo, mesmo feita com velocidade constante, envolve aceleração — porque há uma mudança na direção do movimento.
Como a gente mede isso tudo no mundo real?
Velocímetro: aquele mostrador no seu veículo que indica a velocidade instantânea. Ele funciona detectando a rotação das rodas e transformando isso em km/h.
GPS: os aplicativos de navegação estimam a velocidade com base na mudança da sua posição ao longo do tempo.
Acelerômetro: sensores presentes em celulares, videogames, airbags e outros dispositivos. Eles detectam mudanças na velocidade, inclusive nas três dimensões (para frente, para os lados, para cima/baixo).
Mesmo na escola, com cronômetro, plano inclinado e carrinho de brinquedo, é possível perceber esses conceitos. Basta observar o tempo que o carrinho leva para descer um trilho e como ele acelera ao longo da descida.
E as unidades? Por que existem diferentes sistemas de medidas?
Se você já viu filmes americanos, provavelmente já ouviu a expressão “miles per hour” (milhas por hora). Isso acontece porque, nos Estados Unidos e em alguns poucos países, ainda se usa o Sistema Imperial de Unidades. Nele:
Velocidade é medida em milhas por hora (mph)
Aceleração pode aparecer em pés por segundo ao quadrado (ft/s²)
Já a maioria do mundo (inclusive o Brasil) usa o Sistema Internacional (SI):
Velocidade: metros por segundo (m/s) no SI, ou, em uma unidade mais adequada ao dia a dia, quilômetros por hora (km/h) (mesmo km/h não sendo a unidade padrão do SI para velocidade).
Aceleração: metros por segundo ao quadrado (m/s²)
Essas diferenças são mais do que curiosidades culturais. Em aviação, engenharia e ciências em geral, padronizar as unidades é fundamental para evitar erros — inclusive erros catastróficos. Em 1999, uma sonda da NASA se perdeu em Marte devido a uma confusão entre milhas e quilômetros.
Por que isso importa?
Saber o que é velocidade e aceleração pode, literalmente, salvar vidas. Ao dirigir, perceber que dobrar a velocidade não dobra a distância de frenagem — mas quadruplica — é algo que pode evitar acidentes. Saber que um ônibus precisa de mais tempo para parar devido à sua massa e da aceleração envolvida também muda nosso comportamento como pedestres.
Além disso, entender esses conceitos torna a gente mais consciente sobre como usamos o espaço urbano. Podemos planejar melhor o tempo de deslocamento, compreender os limites de velocidade com outro olhar e até ter conversas mais informadas sobre mobilidade.
Conclusão: entender para se mover melhor
Velocidade e aceleração não são só palavras de livro de física. São experiências que vivemos diariamente, no nosso corpo, nos nossos veículos, nas nossas cidades. A física somente dá nomes e relações precisas a essas experiências.
E, ao fazer isso, nos permite compreender melhor o mundo em movimento ao nosso redor — seja para dirigir com mais responsabilidade, pedalar com mais segurança, ou simplesmente para não se surpreender quando o avião decolar.
Porque, no fim das contas, compreender o movimento é também uma forma de compreender a vida.

Comentários